Ep.06 Os sem Apitos.

"Super-homem, Filósofos, Meninos, Deus, todos são limitados".



Não Rio, Não Margem - Dido 2020

“Todos nós somos iguais.”

“Com estes pregadores da igualdade é que eu não quero ser misturado nem confundido. Porque a justiça me fala assim: "Os homens não são iguais" Assim Falou Zaratustra - Friedrich Nietzsche

Dizia um cartaz, na porta da estação.

Como todos nós somos iguais?

Perguntou o menino, ao guarda, que organizava o embarque.

Espere, espere, menino. Venha por aqui senhora, embarque por aqui.

Agora sim, o que mesmo você perguntou? Falou o guarda olhando para o menino.

Sobre aquele cartaz, ali na porta. “Somos todos iguais.”

Posso arrancá-lo?

Porque, arrancá-lo? Indagou o guarda.

Não sou igual ao senhor seu guarda. Disse o menino. Ou sou?

Sim, somos iguais, apenas você é um menino ainda, mas serás homem assim como eu também.

É mesmo? Terei um apito, assim como o senhor?

Sim, certamente, poderás ter, até mais do que um.

Diga-me seu guarda:

Interessar-se por este tipo de igualdade, seriam.

Os possuidores de apitos? Ou aqueles que não possuem apitos?

Saia, saia estou ocupado agora, retrucou o guarda. Organizando o embarque no trem que acabara de chegar.

O menino agradeceu, falando baixinho consigo mesmo, afastando-se.

"Esse cartaz. Demonstra que os sem apitos estão equivocados assim como os com apitos também estão."

Na manhã seguinte. Uma pichação, cobrindo toda a fachada da Estação.

“Somos todos iguais. Uns tem apitos, outros querem tê-los”.

Eu, ajudava a carregar as sacolas da feira para um senhorzinho até sua casa, ao passar em frente a estação, ouvi o povo comentando.

"Isso deve ser um código, cochichavam entre si as pessoas no outro lado da rua, apontando para estação."

Quando retornei da casa do senhorzinho, me dirigi até o portão de embarque, na estação.

Um rapaz, novo ainda, organizava o embarque.

Então a ele perguntei:

Aquele guarda que estava ontem, onde ele está?

Ele não trabalha mais aqui, agora estou no lugar dele.

Respondeu sorridente o substituto desfardado ainda.

Muito obrigado, respondi.

Já saindo. O novo guarda, me chamou.

Ei menino, deve ser você.

O guarda, o guarda que saiu, ele deixou um apito aqui, disse ser para um menino.

Aproximei, peguei o apito, coloquei na boca, enchi bem os pulmões, com toda força soprei.

Todos na plataforma de embarque, olharam em minha direção.

Olhando para novo guarda, devolvi o apito, falei, deve ser pra outro menino, deve ser engano.

Assoviando, saltitando. Assim fui até a praça.

Concluindo Senhor:

Super-Homem, sim é possível. Super-Homem, é possível.

Porém como todos, estarão limitados a base.

Super-homem é limitado, assim como os filósofos, assim como os meninos, assim como Deus.

Senhor, desvincular, nos livrarmos, compreendermos o que significa a base, é a real potência.

(pensar o não pensado - incolore-creare)


Próximo Episódio:
Sempiternas Miragens.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Nietzsche - Os valorosos Medíocres.

O Viciado Nietzsche

A Mulher