Fazer diferente ou Simplesmente não Fazer

"Eu aprendi a andar; por conseguinte corro. Eu aprendi a voar portanto não quero que me empurrem para mudar de lugar. Agora sou leve, agora voo: agora vejo por baixo de mim mesmo, agora salta em mim um Deus" Assim falou Zaratustra.


Agora sou Leve

A Caverna.


Acho que foi final de 1889 ou início de 1890, dizia o Deus de Peixe.
Memória de velho, se ficar velho como eu, talvez lembre. (dando uma risada.)
Ele ficou aqui uns 6 ou 7 anos,
o Menino morou aqui nesta caverna.

“A terra humana transformava-se para mim em caverna; o meu peito fundia-se; tudo quanto vivia era para mim podridão, ossos humanos e passado ruinoso.” O Convalescente II Assim falou Zaratustra

Terra Humana

Pegou sua caneca, (um gole de chá quente), levantando os olhos,

como estivesse procurando alguém nos arredores.

Continuou contando:

Eu estava sentado aqui, neste mesmo lugar,

a outra árvore era ali, caiu dois ou três anos depois, que ele partiu,

ventos fortes a derrubaram, uma tempestade.Ele estava ali, com um graveto na mão,
puxava os pedaços ainda restante
de algumas páginas que não queimaram.

Ele juntou todos aqueles livros,
todas suas anotações,
inclusive os diários,
que depois do desaparecimento do padre,
toda noite escrevia.

Deveria ter uns 50 ou 60 Diários,
grosso assim. umas 300 e poucas páginas cada um.

Tudo, queimou tudo que tinha,
inclusive aquela luneta,
as lentes, ele quebrou ali, naquela pedra,
lançando o que sobrou ao mar.

Com alegria, atirava tudo no fogo,
com a mesma energia de sempre,
foi com aquela alegria que queimou tudo.

Só aquela pastinha azul desbotada,
que dias antes, o guarda da estação
lhe entregara, essa ele não queimou.
foi a única coisa que levou com ele.

Eu estava aqui, sentado aqui ao lado.
Então virou-se, sacudiu aquele graveto,
apontado para mim, falou:

“Os pescadores, armam suas redes,
recolhem redes, separam peixes,
remendam redes.
Dia após dia,
estão ocupados,
nos mesmos encargos,
nos mesmos compromissos,
nas mesmas ocupações."

E os peixes? E os Peixes?

"Eles todos os dias,
reiteradamente,
tentam escapar das redes”.

"A minha caverna ficará honrada se nela se sentarem reis e se dignarem esperar; verdade é que precisareis esperar muito!" Conversando com Reis II - Assim falou Zaratustra

Verdade é verdade.

Em misterioso silêncio,

investigava fixamente meus olhos.Eu faço assim também, respondi.

Todos fazem assim, a vida é assim.
Respirar é assim,
respiramos agora,
já em seguida,
temos que respirar novamente.

Não é assim que fizemos?

Ele ficou ali ainda meditativo,
refletindo,
ora olhava paras brasas,
ora para mim.

Cuidando das poucas chamas
que ainda restavam.
Falou:

"Queimei meus trilhos,
queimei minha água,
para que outros não repliquem,
os desacertos nos mares que explorei,
para que não percorram,
os trilhos desjeitosos, que trilhei".

"Eles poderão, fazer diferente
ou simplesmente, não fazer”


É Possível.

Ficou repetindo bem alto,

“Fazer diferente,
ou simplesmente,
não fazer, é possível”.

Repetia:

“Fazer diferente,
ou simplesmente,
não fazer, sim é possível”.

Entrou na caverna,
deu uma última olhada,
para todos os cantos,
rapidamente voltou em minha direção,
segurando meu ombro,
foi sussurrando ao meu ouvido.

Escute:

Os peixes precisam descobri o caminho.
Eles querem saber o caminho.
Encontrar respostas,
resposta para perguntas.

Diga-me Deus de Peixe:

Sem peixes...
Deus de Peixe existiria?....

Morrendo todos os Peixes....
Deus de Peixe morreria?

O mapa da resposta,
é mais importante que a própria resposta.

Vultoso é o caminho.

Talvez um dia,
livrem-se da água,
poderão encontrar o caminho.
Insignificante é a resposta,
valoroso é o caminho.

Beijou meu rosto, dizendo:

"acabar o inacabado".
essa é a missão.

seguiu para o barco,
e partiu.

Uns minutos depois,
ouvi um grito vindo de lá.

Sim é possível,
Deus de Peixe, é possível.

Nunca mais ouvi nada sobre seu paradeiro.

( pensar o não pensado - incolore-creare)

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