O Viciado Nietzsche

Traído pelo Coração.

De louco não vi nada, no Pensador.

“Nem tudo precisa ser revelado. Todo mundo deve cultivar um  jardim secreto.” Lou Salomé

Imagem preto e branco de Lou Salomé
Lou Salomé
Do menino para Nietzsche.

Com risadas meu caro Senhor, caminhei até aqui na caverna, lendo sua carta.

Senhor, seria a bela estética feminina, causadora da prenhez do guerreiro, que durante toda a batalha, cuida, amamenta, bajula o próprio medo que lhe atormenta?

Seria a mulher como onda do mar?

Delicadamente persevera, converte másculos rochedos a pequenos grãos de uma lisa praia.

Teria a mulher habilidade para tecer a tal corda esticada no desafiador abismo?

Utilizaria, a mulher seus próprios cabelos perfumados, atraindo-nos para tamanha armadilha?

Particularmente, acredito que simplesmente, meu caro Senhor, seria meus pensamentos desconexos, afirmando, luminosamente o poderoso que não sou.

Senhor, acreditas mesmo, que está mulher é tão bela, como descreves?

Talvez, seja mais um daqueles complôs, arquitetados por ingrato e traidor coração dos alfas, sombreando a lucidez buscando endoidar magicamente nossa liberdade de amar.

Utilizaria a mulher, da arrogância dos machos para forjar grilhões enrijecidores, imobilizando articulações essenciais ao movimento dos nobres e valentes guerreiros?

Visualize com seus próprios olhos. Observe o colorido desta pintura que tanta aflição dizes causar-te.

Quem a pintou?

Quem seria o permissionário?

Autorizarias seu coração a pintar arte tão realista?

Acreditas que dois belos seios, produziriam um veneno capaz de aniquilar um ser pensante como o Senhor?

Teria ela este poder de privar-nos do mel?

Senhor, sobre o “eterno retorno”, presente em muitos dos seus escritos.

Poderia ser um vício do nosso ignorante e desmiolado coração, tornando-nos um escravo admirador de nossa equivocada criação?

Perdão meu caro Senhor, vou continuar aqui na minha caverna.

Hoje lendo sua carta, observei curioso meu coração.

Confesso ao Senhor, em poucos minutos facilmente percebi.

Ele é um maluco, meu coração é um louco, louco por seios cheios de mel.

Porém aprendi com a carta que recebi Senhor.

“Eu não sou meu coração, não sou meus pensamentos, nem o menino aprendiz, que o senhor salvou da guerra. Talvez nem mesmo um viciado, seja ainda"



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